Amar a Vida (2)

As melhores frases e trechos do livro “O Despertar da Senhorita Prim”, de Natalia Sanmartin

Boa tarde, gente linda!

Como vocês estão? Espero que muito bem!

Ontem, postei no blog a resenha de “O Despertar da Senhorita Prim”, de Natalia Sanmartin, esse livrinho maravilhoso e que contém inúmeros ensinamentos que são verdadeiros tesouros. Por isso, além da resenha, do vídeo sobre primeiras impressões que postei no Instagram e no canal, decidi fazer também uma postagem com os melhores trechos e frases. Como o livro é bom demais da conta, “sentem que lá vem história” (risos)!

“O que havia acontecido naquele intervalo? Se a Senhorita Prim a caminho do seu novo emprego o tivesse perguntado à proprietária da papelaria, ela teria explicado que esse mistério de prosperidade era resultado da tenacidade de um jovem homem e da sabedoria de um velho monge. Mas, como a senhorita Prim com seu passo ligeiro em direção à casa não reparou na sofisticada loja, a proprietária não pôde revelar-lhe com orgulho que Santo Irineu de Arnois era, na verdade, uma próspera colônia de exilados do mundo moderno à procura de uma vida simples e rural.”

“Você sempre diz que é preciso fazer o que em justiça é preciso fazer. Você sempre diz.”

“Minha única intenção é que as crianças possam um dia tornar-se tudo o que a escola moderna é incapaz de produzir.”

“[…] parece-me surpreendente ver um burocrata em um casamento.”

“[…] mas qualquer mulher percebe sem dificuldade que Darcy é um homem que diz exatamente o que tem de dizer a todo momento.

– O que é perfeitamente natural – respondeu ele –, se levarmos em consideração que é uma personagem literária e que há uma mão que escreve seus diálogos. […] O que ponho em questão é que a personagem de Darcy represente um homem perfeito. A novela, como certamente se lembrará, chama-se Orgulho e preconceito porque Mr. Darcy é orgulhoso e srta. Elizabeth Bennet é preconceituosa. Ergo, senhorita Prim, Darcy não é perfeito, porque o orgulho é o maior dos defeitos de caráter, e um homem orgulhoso é profundamente imperfeito.

– Como o senhor, sem dúvida alguma, deve saber por experiência – respondeu a bibliotecária antes de levar a mão à boca, horrorizada com o que acabava de dizer.”

“[…] Além disso, uma coisa me diz que não será a última vez que devo perdoar-lhe.”

“– Senhorita Prim – perguntou a pequena Eksi do outro lado da mesa –, não acha que nosso tio diz sempre o que tem de dizer?

– É possível, querida, é possível – murmurou ela muito acalorada. Depois foi para perto do forno, abriu a porta com cuidado e pôs lá dentro com certa impetuosidade, poderia dizer-se que até com um toque de euforia, seu maravilhoso bolo.”

“– Mas, minha querida, olhe para si – a voz clara e suave de Hermínia Treaumont deteve a senhorita Prim – Mora na casa de um homem, trabalha o dia inteiro sob as ordens de um homem e recebe um salário do mesmo homem, que a cada primeiro dia do mês paga pontualmente todas as suas despesas. Realmente tinha a ilusão de estar liberada da dependência masculina?”

“– Acalme-se, Prudência. Nenhum homem pode converter-se a si mesmo ou a outro tendo sua própria vontade como única ferramenta, não se preocupe com isso. Somos causas secundárias, lembra-se? Por mais que nos empenhemos, a iniciativa não é nossa.

– Não sou tomista – disse a bibliotecária secamente contrariada pela sensação de ter deixado entrever seus medos.

Surpreso, ele a observou como um pai olha para uma menina que se orgulha de não saber ler.

– Esse, senhorita Prim, é o seu grande problema.”

“[…] não classificava os problemas como grandes ou pequenos, como todo o mundo faz. Ele sempre dizia que os anjos estão nas coisas simples, e nunca há anjos onde as coisas são complicadas. Pensava que o pequeno é importante.”

“Não, é claro que não. A Redenção não se parece nem um pouco com os contos de fadas, senhorita Prim. São os contos de fadas e as antigas lendas que se parecem com a Redenção. Nunca reparou nisso? É como quando se copia uma árvore do jardim no papel. A árvore do jardim não se parece com o desenho, não é? É o desenho que se parece um pouco, apenas um pouquinho, com a árvore real.”

“Pense desta maneira: se estivesse convencida de que o mundo se esqueceu de como pensar e educar, se acreditasse que a beleza da literatura e da arte estivessem marginalizadas, se pensasse que a força da verdade fora silenciada, o que o mundo ensinaria a seus filhos?”

“– Uma pessoa tolerante? – riu ele. – Vamos lá, Prudência, eu diria que é uma pessoa extremamente rigorosa. Admito que é uma virtude maravilhosa para seu trabalho e sou o primeiro a beneficiar-me disso, mas deve ser um fardo muito pesado para umas costas tão frágeis como as suas.”

“Vamos lá, não é tola, Prudência, apenas se comporta como tal. […] o que acontece é que há algumas coisas que a fazem sofrer, e a fazem sofrer porque não as entende bem, simplesmente isso.”

“– Essa resposta não é digna de uma mente clara, Prudência. E é um dos frutos da educação antitomista de que é tão orgulhosa. A questão aqui ou em qualquer outra discussão não é se minha resposta é ou não religiosa, mas se é ou não é verdadeira. Não vê a diferença? Responda-me com argumento, Prudência, diga-me que acredita que não é verdade o que digo, explique-me porque isso não é verdade, mas não me responda que meu argumento não funciona porque é religioso. A única razão pela qual meu argumento pode não servir aqui ou no fim do mundo é simplesmente porque seja falso.”

“[…] O que acontece é que só reconhece a verdade quando ela está vestida de roupa secular.”

“– Estou com frio. O senhor se importaria de levar-me já para casa?

– Importar-me? Estou sempre disposto a levá-la para casa, Prudência.”

“– Que beleza salvará o mundo? – disse em voz baixa.

O homem da poltrona a observou com curiosidade através da escuridão do carro.

– Dostoiévski, Prudência? Dostoiévski? Eu, se fosse a senhorita, começaria a preocupar-me.

A senhorita Prim, calidamente envolta no sobretudo de seu patrão, sorriu feliz sob o manto da escuridão.”

“– É curioso que aqueles que vomitam as palavras mais ácidas contra o casamento sejam precisamente aqueles que sabem menos dele.”

“[…] A rotina é como a estepe; não é nenhum monstro, é um alimento. Se a senhorita conseguir fazer que algo cresça ali, pode ter certeza de que esse algo será forte e verdadeiro. São as pequenas coisas cotidianas de que falamos antes.”

“[…] a civilização traz consigo, implícita, a ideia de memória. Os selvagens mal perpetuam alguns punhados de tradições, não podem guardar por escrito sua história, não têm nenhuma vocação à permanência.”

“– Não é tanto o que nós observamos em seu olhar, mas o que ele vê nos olhos dos outros.”

“É esse precisamente o cerne da questão, Prudência. O meu ceticismo não é pirrônico, mas científico. Aceito qualquer pressuposto que conte com uma evidência empírica que o respalde.

– Ah sim? – respondeu a bibliotecária – E há alguma evidência empírica que respalde essa faculdade a que o senhor alude e segundo qual o velho monge sabe o que qualquer pessoa é?

Seu companheiro parou para olhar em seus olhos.

– Se há? Claro que há.

– E qual é, se é que se pode saber?

A senhorita Prim adivinhou o que Horácio Delàs diria exatamente um segundo antes que ele o dissesse.

Os buracos negros da minha própria vida, é claro.”

“[…] mudara sua maneira de ser, e isso era algo poderoso, algo profundo e perturbador.”

“– A sensibilidade é um dom, Prudência, estou perfeitamente ciente disso. Mas a sensibilidade não é o instrumento adequado para pensar, e, quando é utilizada para pensar, não só não conduz a um bom porto, mas encaminha ao desastre.”

“Mas a verdade é que não tinha ideia de como o sobrenatural pode tocar o natural até ver isso refletido nela.”

“O homem da poltrona levantou-se, pegou o chapéu, o casaco, o cachecol e dirigiu-se para a porta da biblioteca.

– Eu diria que a senhorita é uma mulher que olha para si mesma também.

– Verdade? – disse a bibliotecária sem se virar, e ouvindo-se responder com a voz trêmula – E quanto ao senhor? O senhor olha para si mesmo também?”

Ele virou a cabeça e esboçou um leve sorriso já da porta.

– Devo confessar que acho muito mais interessante observá-la.”

“[…] a igualdade nada tem a ver com o casamento. A base de um bom casamento, de um casamento razoavelmente feliz (porque não existe, não se engane, um casamento totalmente feliz), é precisamente a desigualdade, que é algo indispensável para que entre duas pessoas haja admiração mútua. Ouça com atenção o que digo: não aspire a um esposo como a senhorita, deve aspirar a um esposo absoluta e completamente melhor que a senhorita.”

“Observando a história, verá que a maioria dos grandes homens, os verdadeiramente grandes, sempre escolheu uma mulher admirável.”

“– Não, querida, não. O que quero dizer é que o fato de que a senhorita não acredita naquilo em que ele acredita fará com que nunca, jamais, ele consinta em apaixonar-se realmente pela senhorita.”

“<< Não me procurarias se já não tivesses me encontrado.>> […] – Ninguém começa esta procura se já não encontrou o que procura, a Ele que procura, se este não toma a iniciativa de se deixar encontrar. Acredite em mim quando digo que é um jogo em que todas as cartas estão em uma mesma mão.”

“Mas as crenças teóricas não salvam ninguém. A fé não é algo teórico, Prudência. A conversão é tão teórica quanto um tiro na cabeça.”

“– Escute – disse Septimus ao observar as lágrimas que silenciosamente deslizavam pela face da bibliotecária –, gostaria que não chorasse tanto.

– Sinto muito não poder agradar-lhe. Ao contrário de você, eu também choro em tempos de paz.”

“– E então, minha querida Prudência, casar-se com um homem como ele significa casar-se completamente. […] Quero dizer realmente casar-se, casar-se até a morte. Nada de divórcio, minha amiga, é isso que quero dizer.”

“[…] Sempre me sentiria ligada a ele, porque saberia que ele sempre se consideraria unido a mim.”

“– E então, como ficamos? […] Nosso homem tem consciência de seu atrativo, ou não tem a menor ideia dos estragos que causa?

– Eu diria que não tem ideia – disse suavemente. – E que este é precisamente o seu encanto.”

“[…] e a senhorita Prim acreditava que as personalidades imponentes, assim como as forças da natureza, eram perigosas e imprevisíveis.”

“É um alívio pensar que ainda há mulheres que sabem sentar-se.”

“A tradição não tem idade, querida, é a modernidade que envelhece.”

“– Mas – a senhorita Prim fez um esforço para encontrar as palavras – o senhor poderia me convencer a ir ao Taiti.

O homem da poltrona se calou por um momento, que para a bibliotecária pareceu uma eternidade.

– Eu iria até o fim do mundo apenas para convencê-la a ir ao Taiti – disse com estranha intensidade na voz. – Faria tudo o que estivesse ao meu alcance para convencê-la. Mas acredito que a nossa viagem seria um fracasso, um terrível fracasso, se a senhorita não tivesse certeza de que gostaria de conhecer o Taiti antes de começa-la.”

“– A senhorita acha? – perguntou ele com um sorriso. – Talvez um dia perceba que se pode ir até o fim do mundo sem sair de uma sala, Prudência.”

“– As pessoas que deixam um lugar sem motivo ou estão fugindo de algo ou estão procurando algo.”

“– Disseram-me que a senhorita valoriza a delicadeza e a beleza – continuou o velho. – Procure então a beleza, senhorita Prim. Procure-a em silêncio, procure-a na calma, procure-a no meio da noite e no amanhecer. Pare para fechar as portas enquanto as procura, e não se surpreenda se descobrir que ela não vive em museus ou está escondida em palácios. Não se surpreenda se, finalmente, descobrir que a beleza não é um quê, mas um quem.”

“– No entanto, creio que posso dizer-lhe o que constitui o coração sobrenatural do matrimônio, aquilo sem o qual este não poderá vir a ser mais do que um castelo de cartas colocadas com mais ou menos felicidade. […] Sucede, querida filha, que o casamento não é de dois, mas de três.”

“[…] Não era ela que gostava dos versos; eram os versos que a recriavam. Caíam sobre sua mente – ou sobre sua alma? – justo ao amanhecer, quando ela se levantava para ver o sol nascer; apanhavam-na ao meio-dia, enquanto ela observava os beneditinos cultivando a terra e deixando pontualmente as enxadas para rezar o Ângelus. Embalavam-na à noite, quando se sentava nos cafés e lia até que a falta de luz e o frio da noite a tirassem de seu ensimesmamento.”

“Havia aprendido a fechar portas. Havia aprendido a abri-las e fechá-las suavemente com cuidadosa precisão. E, quando se aprende a fechar portas, – pensava enquanto observava o casal apaixonado –, de alguma forma se aprende a abrir e fechar corretamente todo o restante.”

Espero que tenham gostado!

Até a próxima!

P.S.: Talvez (eu disse talvez!), teremos mais um post em formato de vídeo comentando alguns trechos do livro que achei importantes e podem nos fazer refletir. Fiquem ligados!

Maria Elisabeth

Olá! Muito prazer, eu me chamo Maria Elisabeth! Sou católica, noiva, tenho 25 anos, nasci em São Paulo, capital, mas sou completamente mineira e baiana de coração! Como uma autêntica peregrina, vivo entre as duas cidades que o Bom Deus me presenteou: São João del-Rei, uma cidadezinha histórica no sul de Minas Gerais, perto de Tiradentes; e a bela, também histórica mas repleta de mar, Salvador, na Bahia! Trabalho como escritora, terapeuta e fotógrafa da poesia heroica de cada dia.

Criei o blog Amar a Vida no início de 2022, depois de um encontro marcante, inesquecível e decisivo com Jesus Cristo, em que me reaproximei da Santa Igreja Católica. Como em um diário (mas aberto ao público!), aqui registro as minhas aventuras e peregrinações em busca da santidade. Compartilho meus aprendizados e memórias desta vida extraordinariamente comum, seja nas tardes ensolaradas e alegres de verão e primavera ou nas noites frias e tristes de outono e inverno… E em tudo isso, o objetivo maior: encontrar o tesouro guardado para todos aqueles que buscam a Verdade.

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