Amar a Vida (2)

De que forma devo ler?

Lembram-se de quando comentei na live que, quando vamos ficando mais experientes no hábito da leitura, nossos olhos se tornam mais perceptíveis e ágeis para captar as sutilezas do texto? Pois bem! Para conseguirmos tal feito e mergulharmos nas palavras do autor, faz-se necessário não apenas espantarmos, de uma vez por todas, aquela ideia ridícula de que devemos ser leitores velozes, daqueles que engolem os livros; é preciso também tomarmos cuidado com o outro extremo, e não transformar nossos momentos de leitura, que devem ser prazerosos, num tal marasmo que nos deixa avoados para o que está acontecendo e cegos para as sutilezas da obra. Devemos ler de forma despreocupada, calma e atenta!

Para demonstrar isso ainda mais, darei outros exemplos em relação ao conto “História Comum”, de Machado de Assis, o qual trabalhamos na live. Além da contradição que há quando o autor se refere à escrava nas frases “uma mucama triste” e seu próprio nome “Felicidade”, temos também um paradoxo presente no que se refere à história em si e seu título: “História Comum”. Agora, caro leitor, como pode ser comum uma história contada por um alfinete?!

Machado também nos traz outra singularidade interessante: a história termina da mesma forma como começa – e aqui, não digo em relação somente à cena, como em tantos livros que se iniciam e se findam em cenas semelhantes, não! Até mesmo a frase é a mesma! E reparem em um detalhe de grande importância: o texto inicia e termina com três pontos! Se quiséssemos, poderíamos terminá-lo e recomeçá-lo como em um ciclo infinito, como se não existisse um fim, embora saibamos que ele está presente, e o pobre alfinete, após sua grande aventura, volta ao seu “status quo” de um mero alfinete e, aí sim!, não sabemos qual o seu fim – além de ter caído na aba de um chapéu de um transeunte. Teria ele mais aventuras para viver e para contar? Só Deus e o próprio Machado sabem a resposta.

Por fim, tudo isso percebemos conforme vamos desbravando o mundo da literatura e não apenas lendo, como um desses sujeitos fanáticos que só pensam em terminar a obra e, antes mesmo de tal ato, já estão pensando na outra. Leitores de verdade leem calma, despreocupada e atentamente! Prontos para se tornarem um só com o texto e se deixarem marcar pela história contada. No início, você muito provavelmente não perceberá, mas quando menos esperar, vai se deparar com as marcas que a literatura é capaz de deixar em nossos corações e provará do fantástico sabor com que essas sutilezas presenteiam nossas almas leitoras.

Maria Elisabeth

Olá! Muito prazer, eu me chamo Maria Elisabeth! Sou católica, noiva, tenho 25 anos, nasci em São Paulo, capital, mas sou completamente mineira e baiana de coração! Como uma autêntica peregrina, vivo entre as duas cidades que o Bom Deus me presenteou: São João del-Rei, uma cidadezinha histórica no sul de Minas Gerais, perto de Tiradentes; e a bela, também histórica mas repleta de mar, Salvador, na Bahia! Trabalho como escritora, terapeuta e fotógrafa da poesia heroica de cada dia.

Criei o blog Amar a Vida no início de 2022, depois de um encontro marcante, inesquecível e decisivo com Jesus Cristo, em que me reaproximei da Santa Igreja Católica. Como em um diário (mas aberto ao público!), aqui registro as minhas aventuras e peregrinações em busca da santidade. Compartilho meus aprendizados e memórias desta vida extraordinariamente comum, seja nas tardes ensolaradas e alegres de verão e primavera ou nas noites frias e tristes de outono e inverno… E em tudo isso, o objetivo maior: encontrar o tesouro guardado para todos aqueles que buscam a Verdade.

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